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Ensinando e aprendendo a língua inglesa como língua estrangeira e linguística.

domingo, 26 de outubro de 2014

Caderno de empregos



Tem chamado minha atenção o seguinte anúncio "professor bilíngue" em anúncios para professor de ensino fundamental 1, publicados em jornais de São Paulo.


Muito engraçado isso, muitas vezes o título é apenas "professor bilíngue" e só quando a gente entra no texto do anúncio, podemos perceber que, na verdade, quem é procurado é um professor de ensino fundamental, aquele profissional que ajuda a criança, entre outras coisas, a alfabetizar-se.

Sempre achei que o professor de fundamental 1 ou, o professor "da sala", como muitos diziam, merecia mais salário, mais benefícios, mais cuidado até mesmo no processo de seleção.

O professor que "pega pela mão" o aluno e o acompanha na questão do letramento me parece tão importante quanto um médico e até mais importante do que um advogado.

Cabe a esse professor ser o anfitrião na festa das letrinhas e assim como um anfitrião de festa, muitos dos convidados sentirão mais ou menos conforto na festa, a partir do acolhimento dele.

Alfabetização é um processo que desenvolverá uma habilidade da qual outras tantas serão derivadas e da qual outras tantas serão dependentes.

Inventar-se nas letras, assim como na música ou no esporte, requer tempo e tato. Muita gente acaba distante de um campo de existência de uma identidade, de um lugar para vir a ser, apenas porque não se sentiu a vontade, logo na entrada da festa.

E mesmo para quem se sente bem, é preciso que o anfitrião se apresente e mostre que a festa poderá ser bem aproveitada se o convidado, antes de lançar-se, observe os espaços existentes.

Então, o professor de fundamental 1 é alguém que eu sempre respeitei e sempre achei que deveria ser mais respeitado na sociedade. Esse professor sempre me pareceu o mais exigido e, injustamente, um dos menos bem pagos.

Esse professor deve ser muito bem preparado, pois vai lidar com crianças, vai supervisionar pessoas em um ambiente onde até mesmo uma borracha pode machucar alguém... e vai explicar, animar, orientar e, sim, tomar conta de crianças....filhos de outros! Trabalho sem fim!

Além de conhecer a fundo teorias de pedagogia e algumas de psicologia, esse professor precisará ser criativo e paciente. Esse professor vai dar aula de matemática, geografia, ciências e vai ajudar os alunos no letramento.

Então, muito me surpreende que se esteja exigindo, atualmente, uma outra habilidade desse professor: comunicar-se em uma língua estrangeira. É curioso que ninguém pare para questionar como esse profissional, que já tem tantas qualificações e tarefas, seria fluente em uma língua estrangeira a ponto de trabalhar as competências do ensino fundamental nessa língua e, não menos curioso, por quê ele deveria ser assim fluente na língua inglesa, no contexto do Brasil.

Nem vou entrar no mérito da língua estrangeira em si e do trabalho que dá tornar-se fluente (de verdade) em qualquer uma delas, enquanto se vive e se estuda no Brasil. Meu foco aqui é o professor de fundamental, que vem sendo chamado por anúncios de emprego de "professor bilíngue".

Isso não me parece fazer sentido e acho que não deveria mesmo fazer. Nem sei se isso é, na maioria dos casos, possível. Na minha humilde prática de trabalho, suspeito que não seja possível mesmo, pelo menos em um curto espaço de tempo....




terça-feira, 21 de outubro de 2014








Um pouquinho sobre a origem do Halloween .....adaptado, resumido, ilustrado e... confuso, claro, como tudo o que vem se desenrolando na linha do tempo, inclusive nós.

Snap-Apple Night - quadro pintado por Daniel Maclise (Irlandês)  em 1833, após participar de um evento de Halloween.


As mais remotas origens do Halloween  encontram-se na festa de Samhain, o deus da morte do povo Celta.

Os Celtas viveram há muitos anos atrás, na região onde é hoje a Irlanda, o Reino Unido e o norte da França, além de outras partes da atual Europa, muito antes do império romano dominar a região. 

Tribos celtas



Eles celebravam o ano novo em uma data que seria, nos dias de hoje, em torno do dia 1º de novembro, data que marcava o fim do verão e da colheita e o início do inverno rigoroso, época do ano associada à morte.

Os Celtas acreditavam que na noite anterior ao início do ano, a fronteira entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos se tornava menos demarcada. Os Druidas, ou religiosos Celtas, acreditavam ter o poder de fazer previsões para seu povo nessa noite. Para um povo inteiramente dependente de e suscetível às condições da natureza, essas previsões poderiam representar certo conforto e segurança.

Durante a celebração da última noite do ano, os celtas reuniam-se em torno de fogueiras, usando fantasias feitas com cabeça e pele de animais e tentavam fazer previsões entre eles.

No ano 43 antes de Cristo, os Romanos conquistaram a maior parte do território Celta. Durante os 400 anos de domínio romano sobre as terras dos Celtas, duas festas romanas acabaram misturando-se a celebração Celta de Samhain, comemorada no que seria o atual dia 31 de outubro.

A primeira festa era Feralia, no fim de outubro, em que se comemorava a passagem dos mortos desta para outra vida. A segunda festa era a homenagem a Pomona, a deusa romana das frutas e das árvores.

Pomona



Dessa forma, duas festas parecidas, acrescidas de uma terceira, cuja homenagem se fazia a uma deusa de frutas e árvores, portanto de vida e prosperidade, passaram a ser celebradas quase que simultaneamente.

Quando o papa Bonifácio IV , no século XVII, designa o dia 1º de novembro como o dia de todos os Santos (All Saints´Day), uma quarta celebração soma-se as três anteriores, na região da Irlanda, Reino Unido e norte da França. Esse dia também era chamado de All-Hallows Day (Hallowed - muito respeitado) ou Hallowmas e a noite anterior passou a ser chamada de All –Hallows Eve, tornando-se Halloween posteriormente.

Papa Bonifácio IV


A festa cuja origem mais remota encontra-se nos Celtas, passa a ser chamada de Halloween, mantendo as características de rememoração aos mortos, com estórias de fantasmas.

No ano 1000 da era cristã, a igreja criou o dia de todas as almas ou dia de todos os mortos (All Souls´Day), no calendário cristão o dia 2 de novembro. No início, esse dia tinha uma celebração parecida à dos Celtas, do dia 31 de outubro. As pessoas vestiam fantasias de santos, anjos e demônios.

Essas três celebrações, o dia de todos os santos, a noite de todos os santos e o dia de todas as almas eram chamados de Hallowmas.

Apple bobbing - esboço feito por Daniel Maclise para seu quadro Snap-Apple Night.


A tradição do “trick or treat”, conhecida no Brasil como “gostosuras ou travessuras” é fruto de uma invenção nos Estados Unidos para que as crianças brincassem no dia 31 de outubro. Mas, muito antes da tradição americana contagiar os outros países falantes da língua inglesa, crianças, adolescentes e adultos já brincavam no Halloween, fantasiando-se e interagindo com vizinhos, na Irlanda e no Reino Unido.

Bem antes dos doces e das "pegadinhas" das crianças,  as brincadeiras giravam em torno de adivinhações e jogos com maças. Snap-apple era uma brincadeira em que maças eram penduradas em barbantes amarrados em cabos de vassoura. Enquanto alguém segurava o cabo da vassoura, os participantes tentavam dar uma dentada/mordida (snap) na maça, sem a ajuda das mãos, que estavam amarradas. A noite do Halloween, por um bom período, era conhecida como "Snap-apple night". 



Apple bobbing é uma variação da mesma brincadeira, só que as maçãs ficam numa bacia com água, enquanto os participantes debruçam-se sobre a bacia, sacudindo a cabeça (bobing) para tentar alcançar a maçã e morde-la, sem ajuda das mãos. Os participantes, adultos, que faziam as brincadeiras, acreditavam que quem conseguisse morder as maçãs, casaria e quem não conseguisse, não casaria, daí a adivinhação do jogo. Evidentemente, era uma tradição de uma época bem distante da atual....





(adaptado de www.history.com, http://video.about.com/familyfitness/How-to-Play-Snap-Apple.htm e outras fontes variadas, entre revistas e livros de história)